Endodontia
*Zenon Fernandes Rolim
**Renato Interliche

Técnica Híbrida de Tagger: uma opção para obturação dos canais radiculares


Fig.1








Fig.2









Fig.3








A Odontologia atual está em constante evolução, aparecendo a todo o momento, novas técnicas, novos instrumentos e novos materiais, que visam oferecer melhor conforto e sucesso nos tratamentos, tanto para os profissionais quanto para os pacientes.

Dentro das especialidades odontológicas, a endodontia também sofre transformações diárias, nos possibilitando realizar tratamentos mais rápidos, com altos índices de sucessos, devido às novas técnicas e a um conhecimento cada vez mais aprofundado do tecido pulpar, do sistema de canais radiculares e da região periapical. Para cada etapa do tratamento endodôntico, existem instrumentos adequados que otimizam o trabalho do profissional, como brocas sem ponta ativa para melhorar o acesso coronário, limas de diversos tipos (manuais ou acionadas a motor) confeccionadas em aço inoxidável ou liga de níquel-titânio, ultra-som, microscópio, entre outros aparelhos que nos auxiliam.

Na fase da obturação não é diferente, existindo várias técnicas para a sua realização. Entre elas, pode se destacar a técnica que em 1980, o John T. McSpadden propôs, na qual se utilizava termocompactadores desenvolvidos por ele, fabricados em aço inoxidável com o mesmo desenho da lima Hedströem, porém com a rosca invertida, utilizado em contra-ângulo em baixa rotação, com capacidade de plastificar a guta-percha e empurra-la no sentido coroa-ápice. (Fig.1)

A técnica consistia em levar ao canal preparado um cone previamente ajustado ao batente apical com cimento e, introduzindo logo após o termocompactador no canal acionando-o. O termocompactador é acionado no sentido horário, plastificando em alguns segundos a guta-percha no interior do canal, retirando-o ainda em movimento. Esta técnica apresentou o inconveniente de extruir muito material além do forame apical e ter um alto risco de fratura do instrumento dentro do conduto.

Em 1984, TAGGER et al. propuseram uma técnica híbrida que consistia na associação da técnica da condensação lateral convencional (para o terço apical) com a técnica de McSpadden (para as porções m’dia e cervical do conduto). Esta técnica tem a vantagem de apresentar um bom vedamento apical, evitando o extravasamento de material quando se está usando o termocompactador, além de rápido e de fácil execução. Porém, como todas as outras técnicas, esta também possui suas contra-indicações como:

Evitar o uso do termocompactador em canais curvos, pois este pode se fraturar dentro do canal;
Dentes cujo canal se apresenta com ápice aberto, seja por rizogênese incompleta ou por reabsorções;
Obturações em que não se tem certeza que houve um bom vedamento apical após a condensação lateral do terço apical.

Esta técnica, provavelmente devido a plastificação da guta-percha, nos permite a visualização radiográfica de um maior número de canais laterais e acessórios obturados.

BRAMANTE et al. em 1989, comparando a infiltração marginal, tempo de execução, características da obturação nos terço apical, médio e cervical e extravasamento de material entre 07 (sete) técnicas de obturação, obteve para a técnica híbrida de TAGGER, uma melhor qualidade de obturação no terço apical se comparado com as técnicas de McSpadden e Ultrafil. Já nos terços médio/cervical a técnica mostrava obturações melhores que as realizadas por condensação lateral. Quanto ao tempo de execução, esta técnica foi mais lenta que as técnicas do Ultrafil e de McSpadden.

Possuindo uma qualidade de vedamento apical, facilidade de execução e pouco tempo consumido para a sua realização, descreveremos a seguir a técnica híbrida de TAGGER:

Após o canal preparado (biomecânica) de maneira afunilada, ajusta-se o cone de guta-percha principal (comprovação clínica e radiográfica);
Leva-se o cimento a todas as paredes do canal com o cone principal;
Com o auxílio de espaçadores digitais (condensação lateral ativa), acrescentar alguns cones de guta-percha secundários obturando o terço apical (fig. 2);
Seleciona-se o termocompactador que melhor se adapte ao terço médio do canal (na maioria dos casos deve ser de calibre um número ou dois superiores em relação ao do cone de guta-percha principal) (fig. 3);
Estabelecer a profundidade de penetração do compactador;
Verificar a direção do micro-motor (sentido horário), introduzir no canal até encontrar resistência e acionar o instrumento por alguns segundos (máximo 10 segundos), deixar que a massa de guta-percha plastificada empurre o compactador para fora do conduto, retirando-o ainda em movimento;
Após a retirada do compactador, fazer rapidamente a condensação vertical da guta-percha plastificada com calcadores verticais;
Radiografia para comprovação da obturação;
Remoção dos excessos, limpeza da câmara pulpar e selamento;
Radiografia final (fig. 4).

O próprio TAGGER desenvolveu uma modificação em sua técnica. Quando feita à radiografia comprobatória e a obturação não se apresentar adequada, pode-se criar novos espaços com o espaçador digital aquecido, adicionas mais dois ou três cones acessórios e repetir o uso do termocompactador. Isto pode ser feito até a obturação apresentar-se radiograficamente aceitável.

Em canais atrésicos e curvos, a porção apical é obturada por condensação lateral, permitindo o uso do termocompactador somente na porção reta do corpo da raiz.

REFERÊNCIAS
• ENDODONTIA – TRATAMENTO DE CANAIS RADICULARES MARIO R. LEONARDO; JAYME M. LEAL – 3 ED. CAP. 28(BONETTI FILHO et al.; •OBTURAÇÃO DOS CANAIS RADICULARES – TÉCNICAS DE TERMOPLASTIFICAÇÃO DE GUTA-PERCHA); P. 625 A 642; EDIT. PANAMERICANA. SÃO PAULO - 1998.
• ENDODONTIA – BASES PARA A PRÁTICA CLÍNICA JOSÉ GUSTAVO DE PAIVA; JOÃO HUMBERTO ANTONIAZZI – 2O ED. CAP. 27; P. 661 A 667; EDIT. ARTES MÉDICAS – SÃO PAULO – 1988.
• ENDODONTIA DE DEUS – 5O ED. CAP. 13; P. 496 A 501; EDIT. MEDSI – RIO DE JANEIRO – 1992.
• PINHEIRO JÚNIOR, E.C; PÉCORA, J.D. Técnica de McSpadden para obturação de canais radiculares. (Condensação Termo-Mecânica com condensador de guta-percha)
FONTE: http:// www.forp.usp.br/ restauradora/ mc.htm
• BRAMANTE, C.M.; et al. Estudo Comparativo de algumas técnicas de obturações de canais radiculares. RBO – 46 (5); set/out, 1989.

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