Ortopedia Funcional dos Maxilares

*Teixeira, D. R. A.

Diagnóstico sintomatológico 
gnatostático planas


Fig.1




Fig.2




Fig.3




Fig.4




Fig.5




Fig.6




Fig.7




Fig.8

O diagnóstico das anomalias, bem como o planejamento e desenvolvimento do tratamento, fundamenta-se na análise das radiografias, modelos e arcos dentais e exame clínico. A análise dos modelos, é de importância fundamental, pois permite avaliar, de maneira tridimensional as alterações do crescimento do osso que suporta os dentes, bem como as posições assumidas pelos dentes no arco dental.

Analisando os trabalhos de Simon e Andressen, Planas (Espanha) construiu o Gnatostato Planas, que é um aparelho que permite a fixação dos modelos superior e inferior em bases quadradas, de gesso, guardando sempre as relações existentes entre os arcos dentários superior e inferior e o complexo crânio-facial. 

Gnatostato, vem do grego gnathos = mandíbula e statikós=lugar firme, estável. (Relação maxilo-mandibular de maneira estática). Os modelos gnatostáticos conseguem, por sua técnica de construção, relacionar os arcos dentários com suas respectivas bases, as quais por sua vez, mantém relações com os planos cranianos.

Técnica Gnatostática: 

Ocupa-se em obter modelos cujas bases estejam orientadas nos três planos do espaço: sagital, horizontal de Camper e frontal. (Fig.1)

O Gnatostato é constituído das seguintes partes: (Fig. 2)

Arco facial: Composto por um arco horizontal e uma haste vertical. O arco horizontal possui quatro hastes que vão tocar nos pontos de referência tragus direito e esquerdo (Td, Te), gonion direito e esquerdo (God, Goe), marcados na face do paciente. Na haste vertical, vamos ter três hastes menores, nos pontos ofrion (O), subnasal (Sn) e gnation (Gn). Entre a haste do subnasal e do gnation, temos um suporte onde vai se encaixar a alça de mordida. (Fig. 3)

Alça de mordida: Deve ter um tamanho adequado, ficar solta e não ter nenhuma interferência quando colocada na boca do paciente. O cabo da alça de mordida deverá ser orientado, sempre paralelo ao plano de Camper e situado no plano sagital. O material usado no registro da posição de intercuspidação máxima (PIM), é a godiva que deve ser plastificada e colocada na alça de mordida e posicionada na boca do paciente. A alça é encaixada no arco facial, que é o responsável pela transferência da relação maxilo-mandibular do paciente para o Gnatostato, com o registro da posição dos pontos Td, Te, God, Goe, O, Sn, Gn.

Ficha Gnatostática: Idealizada com a finalidade de registrar no papel, dados obtidos no paciente, no momento da tomada do arco facial, servindo de auxilio para diagnóstico e posterior comparação durante a evolução do tratamento. (Fig. 4)

O transporte dos pontos Gn, God e Goe, para ficha Gnatostática é feito após o posicionamento do arco facial no Gnatostato, através de uma presilha, situada horizontalmente 2 cm atras da linha Td e Te. (Fig. 5)

Uma vez fixada, a ficha é encostada aos pontos Gn, God, Goe do arco facial e com ligeira pressão dos dedos, registramos estes pontos na ficha. A ficha é retirada do Gnatostato, para marcação dos pontos O, Sn, Gn, no plano sagital. As distâncias serão medidas, a partir do plano frontal, que passa pelo tragus, tanto se for utilizado para marcar a linha de perfil (O, Sn, Gn), como se for para marcar o triângulo mandibular (God, Gn, Goe) em um plano paralelo a Camper.(Fig. 6)

Montagem dos modelos: Completada a ficha Gnatostática, o arco facial é mantido em posição no Gnatostato, para posterior montagem dos modelos. As hastes do God, Gn, Goe são afastadas para colocação da gaveta conformadora da base do modelo inferior. No Gnatostato Planas, por construção, o primeiro modelo a ser montado é o inferior. Ajusta-se o modelo inferior à posição correspondente na mordida em godiva na alça de mordida e o modelo é amarrado ao registro da PIM. Manipula-se o gesso, preenche a gaveta já isolada, unindo o modelo à base. Completada a presa do gesso, o arco facial é retirado do Gnatostato. Após remover a alça de mordida do arco facial, o modelo superior é colocado sobre o modelo inferior. Posicionando a gaveta do modelo superior, verifica se não há interferência e completa com gesso, fixando o modelo à base. (Fig. 7)

Completada a presa do gesso, retira-se as gavetas e os modelos Gnatostáticos estão prontos para polimento e posterior simetrografia.

Simetrografia do modelo Gnatostático: É feita com o auxílio do simetrógrafo 
Planas, que é um dispositivo que permite o traçado de um quadriculado sobre o modelo Gnatostático, no sentido longitudinal e transversal. (Fig. 8)
Este traçado nos permitirá observar, os desvios transversais das arcadas e as assimetrias antero-posteriores.

Com a ficha Gnatostática e os modelos simetrografados, nós teremos uma visão do perfil Gnatostático, do triângulo mandibular, das arcadas superior e inferior do paciente, que serão elementos importantes para o diagnóstico e, que nos levará a um tratamento mais seguro.

Bibliografia:
PLANAS, P., Reabilitação Neuro-oclusal, Ed. Medsi, 1988.
SIMÕES, W. A., Ortopedia Funcional dos Maxilares, Ed. Santos, 1985.

* Especialista em Odontopediatria (UFMG). 
Professora do Curso de Aperfeiçoamento de Ortopedia Funcional dos Maxilares (AONP).

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