Saúde Pública
Na América Latina, maior número
de dentistas está concentrado no Brasil
Apesar disso, o país é carente de uma política nacional de saúde bucal e nível de cáries é crescenteDentre os países latino-americanos, o Brasil é que concentra maior número de profissionais dentistas, com mais de uma centena de cursos especializados. A afirmação é da assessora regional de saúde bucal da Organização Pan-Americana de Saúde, a equatoriana Sáskia Estupiñam-Day, participante do 2° Congresso Mundial de Odontologia em Londrina, e que ministrou curso sobre saúde bucal.
No entender de Sáskia Estupiñam-Day, o Brasil tem condições de estar equiparado a países desenvolvidos como os Estados Unidos e Canadá, em termos de saúde pública. Mas ela observa que falta ao Brasil uma política de planejamento nessa área, pois grande parte das ações são isoladas, atingido apenas uma camada da população, concentradas em áreas urbanas. Todavia, cada Estado brasileiro difere um do outro no atendimento aos serviços de saúde pública, o que faz com que grande parte da população mais carente desses serviços não tenha acesso a algumas alternativas, como por exemplo a água com flúor.
Para ela, o Brasil é carente de um programa nacional de saúde bucal e isso tem contribuído para o crescimento do índice da cárie. Sáskia Estupiñam-Day enfatiza que países pobres como a Jamaica, Colômbia, Costa Rica, Bolívia e México, têm mantido uma média de 3,1 dentes cariados, obturados ou perdidos por pessoa enquanto o índice brasileiro está acima do preconizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de menos de 3 por pessoa. É sob esses aspecto que ela diz que o Brasil teria condições de estar lado a lado com os países considerados ricos, cujos índices de dentes cariados, obturados ou perdidos são pouco mais que 1, pois tem recursos para tal. Tudo depende de uma política governamental nesse sentido, diz Sáskia.
Controle da cárie
A assessora da Organização Pan-Americana de Saúde, faz uma breve análise sobre a saúde bucal nos chamados países emergentes, citando o exemplo da Jamaica, que em 1990, apresentava índice de 6,7 dentes com problemas. Da lista desses países faziam parte a Colômbia, a Bolívia e o Brasil, entre outros. Todos esses países implantaram um plano nacional de saúde bucal, com exceção do Brasil. Observa a assessora, que ano passado a Jamaica apresentou índice de apenas 1,1 dentes com problemas, o que significa uma redução de quase 84%. Lembra que, esse resultado fez com que o país passasse para a categoria dos países com controle da cárie. No mesmo período, o Brasil saltou apenas para a classe dos países em fase de desenvolvimento, cujos índices variam de 5 a 3 dentes com cárie, obturados ou perdidos por pessoa.Saúde Pública
Segundo Sáskia Estupiñan-Day, em 87, no México o índice era de 4,6. Mas a implantação de um plano nacional de saúde bucal, o número caiu para 2,5, correspondendo a uma redução de 45%. Ela enfatiza que a redução também é possível em países grandes e não só nos pequenos. Frisou que, os planos aplicados nos países da América Latina estão sendo usados como modelo na China. Quanto ao Brasil, a especialista assinala a necessidade de uma política governamental, inovadora, ante as diversas realidades vividas pelo país. Torna-se necessário que sejam adotadas alternativas que propiciem o atendimento a toda à comunidade, interagindo a alta tecnologia com melhor cobertura à população.Prevenção
Sáskia diz que nos países onde foram implantado planos de saúde bucal, os cuidados com a prevenção estiveram voltados para a utilização do flúor, ofertado à população por meio da água ou do sal. No Brasil já é usado o flúor, no entanto, apenas a uma parcela da população. No Equador, por exemplo, apenas 60% da população tem acesso à água tratada. Por isso, a opção recaiu na utilização do sal. O mineral é incorporado ao sal por um processo semelhante à aplicação do iodo. A fluoração no sal é a forma mais barata de se colocar o mineral à disposição da população. Segundo Sáskia Estupiñan-Day, no continente americano 15 países têm plano nacional voltados para a utilização do flúor na prevenção de combate à cárie. Ela observa que, aplicar flúor ao sal custa apenas US$ 0,06 por ano para cada pessoa. A aplicação do mineral na água tem custo de US$ 0,54. Disse, ainda, que outras formas custariam de US$ 2,50 a US$ 22. Especialistas que participaram do 2° Congresso Mundial de Odontologia apontaram que cerca de 80% dos brasileiros têm acesso à água tratada com flúor.
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