Saúde BucalSuspenção do uso de flúor nas escolas gera polêmica
Participantes do 2° Congresso Mundial de Odontologia contestam decisão
O Brasil, país em desenvolvimento emergente e onde a situação demográfica é cada vez mais crescente, a saúde bucal ocupa papel preponderante. Durante a realização do 2° Congresso Mundial de Odontologia, realizado entre 10 e 13 de julho último em Londrina, um dos temas que chamaram a atenção foi a utilização do flúor na água de abastecimento e nas pastas dentais. A temática foi amplamente divulgada, ocupando substancial espaço na mídia, até porque foi motivo de polêmica, pelo fato de a Secretaria Municipal de Saúde haver suspenso o uso do flúor nas escolas municipais de Londrina desde abril último. Participantes do 2° Congresso Mundial de Odontologia contestaram a medida por entender que ela foi precipitada.
De acordo com o gerente de Odontologia da Secretaria Municipal de Saúde em Londrina, Domingos Alvanhan, a medida adotada partiu do fato de estudos haverem apontado uma redução no índice de dentes cariados, perdidos ou obturados, em crianças com idade até 12 anos. Segundo ele, a pesquisa demonstrou que o número é inferior a dois dentes, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que seja menor de três dentes. Baseado nisso, Domingos Alvanhan acha que não há necessidade de aplicação semanal do flúor, e opina a favor de uma campanha de informação e prevenção da cárie.
Secretaria estadual contesta
A opinião de Alvanhan, no entanto, foi contestada pelo assessor para saúde bucal da Secretaria de Saúde do Estado do Paraná, Leo Krieger, para quem a decisão do município foi precipitada. A seu ver, mesmo que haja dados comprovados é preciso manter a aplicação, por entender que os índices de pesquisa não revelam a realidade global da população escolar. Enfatiza que, nas escolas estaduais o processo de bochecho é feito semanalmente.O professor da Universidade Estadual de Londrina, Antonio Ferelle, também presidente da Associação Odontológica do Norte do Paraná (AONP), comunga da mesma posição de Krieger. Ele parte do princípio de que a fluorose atinge crianças de até seis anos de idade, provocada pelo excesso do produto. Quanto a isso, Ferelle frisa que a doença é originada pela ingestão do produto quando em excesso. Ele emenda que, havendo aplicação orientada não há risco de ingestão do produto. Tanto Krieger quanto Ferelle reforçam a tese de que o perigo maior está nas pastas de dente, com sabor ou cereais infantis consumidas pelas crianças.
Ferelle chama a atenção para o fato de que, a quantidade do produto utilizado no programa de bochecho é mínima. Além disso, o programa é destinado a crianças acima de seis anos de idade, cujo risco de engolir flúor é bem menor. O professor diz que não existem dados atualizados pela prefeitura municipal de Londrina sobre dentição infantil. Se existe, não foi divulgado, observa. Segundo ele, a última pesquisa foi realizada há cinco anos ( 1996) .
Leo Krieger destaca que o uso do flúor tem um custo anual por criança de apenas 10 centavos. Lembra, ainda, que Londrina por ser considerada cidade-modelo exerceria grande influência nas outras municipalidades onde a realidade não é a mesma, incentivando a utilização do flúor na população escolar.
Embora a decisão da Secretaria Municipal de Saúde Pública em Londrina tenha causado polêmica, o secretário de Saúde, Sílvio Fernandes, afirma que o município está aberto para avaliar a questão, com possibilidades de uma nova discussão sobre o uso do flúor.
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