Saúde Bucal

Ações educativas promovem avanço na saúde bucal
2° Congresso Mundial de Odontologia cria comissão para discutir uso racional do flúor em todo o País. 

A utilização do flúor como medida preventiva à saúde bucal da população brasileira, foi a tônica das discussões no 2° Congresso Mundial de Odontologia, a ponto de ser proposta uma comissão com previsão para ser formada até outubro próximo. Este o resultado de uma mesa redonda com a participação de representantes do Ministério da Saúde, do governo do Estado do Paraná, e da Prefeitura Municipal de Londrina. Centenas de participantes irão levar à frente uma série de propostas a serem apresentadas à Organização Mundial da Saúde (OMS).

Uma das questões levantadas diz respeito ao uso do flúor em todo o País. A coordenadora da Saúde Bucal do Ministério da Saúde, Sônia Maria Dantas de Souza, afirmou que, o uso do flúor precisa ser amplamente discutido e também ser avaliada a realidade de cada municipalidade. De acordo com ela, nenhuma medida precipitada deve ser tomada. Torna-se necessário um estudo epidemiológico, que possa avaliar as condições de cáries da população. Lembrou que na avaliação feita em 1996, o resultado brasileiro atingiu a casa de 2,36 CPDO ( Índice de Dentes Cariados, Perdidos e Obturados), enquanto a OMS preconiza o índice de menos de três dentes cariados por criança enfatizando que hoje no Brasil, o índice de dentes cariados, perdidos ou obturados é de 3,1.

Saúde bucal coletiva

Em 1974, o então presidente da República, Ernesto Geisel, sancionou a Lei 6.050, regulamentada no ano seguinte pelo Decreto n° 76.872, que dispunha sobre a fluoretação da água em sistemas públicos de abastecimento. Começava então a primeira providência para a prevenção contra à cárie no Brasil.

Especialistas opinam que a fluoretação da água destinada ao abastecimento da população, após dez anos de aplicação diária, reduz em cerca de 60% o índice de cárie. No momento, o que se discute é a revisão da norma que define a concentração recomendada de flúor. A Organização Mundial da Saúde (OMS) sugere que a água deve ter um teor máximo e único de 1,5 ppm (partes por milhão) de flúor, sem considerar as diversas temperaturas do Brasil. Contudo, a maior preocupação dos especialistas é quanto ao uso excessivo do flúor, responsável pela fluorose, patologia caracterizada pelo excesso de mineral no organismo e que provoca, desde pequenas manchas brancas superficiais nos dentes até danos irreparáveis à dentição permanente.

Nas escolas estaduais do Paraná é mantido o processo de bochechos nos alunos. Embora essencial no combate à cárie, persiste a preocupação dos especialistas quanto à quantidade de fluor a ser empregada, tanto na água tratada quanto no bochecho oferecido aos alunos e nos cremes dentais. A esse respeito é grande o questionamento. De acordo com a legislação brasileira, o produto deve ter, no mínimo, 1.100 PPM (partes por milhão do mineral). Prof. Luiz Walter: "Leis precisam ser reavaliadas" Normas da Organização Mundial de Saúde (OMS) indicam que até dois anos e meio de idade a criança não deve utilizar flúor. No que respeita à população adulta, especialistas são da opinião de que é preciso reavaliar a concentração mínima de flúor nos cremes dentais. O professor Luiz Reynaldo de Figueiredo Walter, idealizador da Bebê-Clínica em Londrina, tem opinião formada a respeito. No seu entender, no Brasil a lei foi criada no sentido de evitar que as indústrias de cremes dentais adicionassem o flúor em pequenas quantidades como forma de economizar nos custos. Ele é da opinião de que o índice de concentração de flúor deve ser estudado para se saber o quanto deva ser reduzido quando em excesso, da mesma forma como foi feito em relação à água de abastecimento público.

Para a professora Maria Celeste Morita, da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e também da Universidade Norte do Paraná (Unopar), é preciso avaliar o índice de concentração de flúor. Mais concisa, ela afirma: " Estamos submetendo demais a população ao flúor, três, quatro vezes mais que o necessário", conceituação essa, baseada no fato de que a legislação brasileira não é flexível, enquanto a de outros países desenvolvidos é flexibilizada, aponta.

A professora Maria Celeste Morita comenta que há uma evidência científica muito forte apontando para elevados valores de flúor na água. A seu ver, torna-se necessário um controle mais rigoroso no que respeita ao nível de flúor. Completa que, " a colocação e o controle do flúor fica por conta da empresa responsável pelo abastecimento de água, mas deve ser controlado também vigilância sanitária".

Ela diz que no Paraná, a Sanepar coloca entre 0,5 a 0,8 miligramas de flúor por litro de água, considerado um volume satisfatório.

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