Ruído Urbano
Viver num ambiente com alto índice de poluição sonora é desagradável e até mesmo prejudicial à saúde.Buzinas, freadas bruscas, cano de descarga aberto, tráfego intenso, carros com auto-falantes no último volume, entre outras inconveniências, são alguns fatores que compõem hoje o já quase insuportável barulho urbano. De acordo com cientistas, se ele não chega a comprometer o sistema auditivo da população, já está causando sérios prejuízos além de provocar distúrbios psicológicos de diferentes intensidades.
Difícil é encontrar alguém que não queira morar ou trabalhar em sossego, coisa rara nos dias atuais nos grandes centros urbanos. Na verdade, existem leis coibindo a poluição sonora, todavia, o "modismo selvagem", senão irracional, teima em torná-la cada vez mais freqüente. Segundo especialistas, o ouvido humano é capaz de suportar, sem maiores incômodos, até 60 decibéis . No entanto, um grupo de motocicletas com escapamentos abertos ultrapassa em muito a casa dos 100 decibéis.
Se durante o período noturno, quando as pessoas procuram sossego, mas infelizmente, são incomodadas com o tráfego ruidoso de motocicletas, durante o dia, além do ruído normal, os canteiros de obras das construções não deixam por menos, com seus bate-estacas, serras, marteladas, etc.
Nos grandes centros urbanos as fontes de ruído são muitas mas a que causa maior perturbação é o tráfego de carros e motos.
O arquiteto Alberto Azevedo, da Associação Brasileira de Acústica atribui a três fatores originários do tráfego a responsabilidade maior pelo barulho causado nas cidades: canos de descarga abertos, de motocicletas e automóveis, sirenes e buzinas. A seu ver, a buzina representa o maior deles, porque a população é mal-educada e usa indevidamente a buzina. Especialistas em acústica costumam atribuir a ocupação crescentes dos espaços com edifícios muito altos, como um dos principais fatores contribuintes para o ensurdecedor barulho urbano. Segundo eles, esses prédios acabam se transformando em verdadeiras caixas de ressonância do barulho da ruas, o que faz com que os moradores de andares mais altos o recebam com muito mais intensidade do que seus vizinhos dos andares térreos. Isso significa que o barulho constante à altura das casas vai aos poucos tornando as cidades inóspitas.
Especialistas advertem sobre as conseqüências nocivas causadas pela exposição constante aos ruídos.
Quando um motoqueiro transita pelas ruas com descarga aberta, mal sabe sobre as conseqüências graves que advirão dessa prática, resultando na maioria das vezes em casos de trauma acústico. Otorrinolaringologistas costumam advertir sobre abusos de exposição constante aos ruídos, a exemplo de como procede o motoqueiro que transita com a descarga da moto aberta. Isso faz com que a pessoa vá ficando neurótica pelo fato de viver exposta ao ruído de alta intensidade, contribuindo para a destruição das células do ouvido, acarretando a surdez progressiva. Há muita gente estragando os ouvidos sem ter consciência do mal que causa a si própria. Nesse contexto podem ser incluídos os jovens que costumam ouvir música com fone de ouvidos, suportando mais de 110 decibéis; ou os trabalhadores que atuam sem protetores de ouvidos em locais barulhentos, como aeroportos ou lidando com britadeiras; jovens que costumam freqüentar discotecas e casas noturnas que detonam toneladas de som. Enfim, pessoas expostas a toda sorte de poluição sonora. De acordo com os especialistas em acústica da cidade de São Paulo, o ouvido humano está capacitado a receber impacto de até 80 decibéis. A partir daí começa a deterioração das fibras do nervo auditivo e depois dos 140 decibéis o ruído já começa a provocar dor.
Problemas relativos à poluição sonora não estão ligados somente ao ruído do tráfego nas ruas ou locais de trabalho, mas também no ambiente doméstico.
Na ambientação doméstica a poluição sonora também é acentuada, originada pela grande quantidade de aparelhos domésticos ruidosos, como batedeiras, liquidificadores, aparelhos de som, televisores, aspiradores de pó, entre outros. Em recente evento sobre audição e linguagem, realizado em São Paulo, o médico foniatra Evaldo Rodrigues, da PUC/Campinas, chamou a atenção para o elevado número de casos de rouquidão e disfonia em crianças, ocasionados pela poluição sonora dentro dos lares. Segundo o médico, "a poluição sonora dentro do lar pode ocasionar causas orgânicas, como lesões de faringe e acidentes diversos. Entre outras coisas, pode ser responsável pelo mau uso da voz por parte da criança, que acaba tendo de lutar não só contra o ambiente".
Ele chama a atenção para o fato de que nos grandes centros urbanos, metrópoles ou cidades médias, o que se observa é a maior interferência do ruído no desenvolvimento da voz da criança. Exemplifica: há um ruído já intenso proveniente das ruas e que termina se associando ao ruído interno do lar, gerado pela quantidades de aparelhos que causam ruídos. Essa poluição ambiental acaba tendo um papel desencadeante nos problemas de voz da criança, diz o médico. Todavia, as pessoas não se dão conta, observa. (Francisco Chagas Marinho).
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