Ortopedia Funcional dos Maxilares

Mordida Cruzada 
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CASO CLÍNICO

Dra. Dalcia Regina Andrade Teixeira

A Ortopedia Funcional dos Maxilares é a especialidade que diagnostica, previne, controla e trata os problemas de crescimento e desenvolvimento que afetam os arcos dentários e suas bases, tanto no período ontogênico como no pós-ontogênico.

A terapêutica ortopédica funcional na infância permite melhorar a função neuro-muscular, tirar vantagens do crescimento e, desta forma, modificar o desenvolvimento, controlar a erupção dos dentes e prevenir estágios mais graves de má-oclusão.

Pedro Planas definiu a mordida cruzada como uma atrofia das mais fáceis de tratar, quando diagnosticada precocemente, mas se abandonada, a que mais dificuldades pode acarretar pelo risco das distrofias ósseas que serão irreversíveis. 

Segundo Viazis e Vadiakas, a mordida cruzada anterior na dentição decídua, pode envolver um ou mais dentes anteriores e pode ser diferenciada em funcional, esqueletal, ou dental.

Woodside (1989) classificou a MCA em dentária, esquelética e funcional.
  • Dentária: O arco dentário inferior está em protrusão e o arco dentário superior em retrusão, portanto induzem uma MCA de origem exclusivamente dentária
  • Esquelética: A maxila é pouco desenvolvida, ou a mandíbula é muito desenvolvida ou mesmo a combinação de ambos os fatores. 
  • Funcional: A partir de uma interferência oclusal, a mandíbula oclui em uma posição mais anteriorizada, obedecendo a um comando neuro-muscular.

Fatores Etiológicos:

  • Genético: Segundo Stuart Hunter pode ser da ordem de até 37%.
  • Epigenéticos: Congênitos - flexão da base craniana, rotação occipital, temporal, esfenóide e displasia micrótica.
  • Outros fatores: Acidente de parto, respiratórios, postura lingual, problemas ósseos e dentários, etnia.

A prevalência da MCA ocorre segundo Miyajima (1997)10% da população japonesa, Lew et al (1993) 12% da população chinesa, Tomos (1989) 9,4% de pacientes ortodônticos na Arábia Saudita, Bjork (1950) Mohlin (1982) 0.8% - 4,3% norte da Europa. Mills (1966) 3,3% de homens e 2,9% de mulheres americanos com ancestrais europeus, Martins et al (1994) 7,6% de crianças brasileiras, com 1% entre 2 a 6 anos.

Silva Filho et al (2002) examinou 2016 crianças de 3 a 6 anos, que apresentaram 26,74% com oclusão normal, 73,26% com má oclusão,onde 3,57% de MCA na dentição decídua 7,6% de MCA na dentição mista. 

O Crescimento Facial, segundo Rakosi (1970), Viazis (1992),Martins et al (1994,1999), Gribel (1999), aos 6 anos a criança já atingiu 86% do crescimento sagital da base craniana (S-N). 82% da dimensão antero-posterior da maxila (ENA-ENP), 77% do comprimento diagonal da mandíbula (CD-GN).

O tratamento precoce foi definido em uma reunião dos membros do American Board of Orthodontics, realizado em Quebec, Canadá, julho de 1977, como aquele realizado em dentição decídua ou mista com o objetivo de favorecer o desenvolvimento ósseo e dentário antes da erupção dos dentes permanentes. 

Barich (1952), Graber (1966), McNamara (1987), Hamilton (1998), Tolaro (1997), etc são unânimes em preconizar o tratamento da classe III numa fase precoce, evitando desvios de crescimento e desenvolvimento da face, problemas periodontais, problemas na ATM, além dos problemas psicológicos.

Bacetti e Franchi (1979) estudaram 30 crianças com 6 anos com mordida cruzada anterior. O resultado apresentou a maxila com deslocamento para baixo e para frente do ponto A e a mandíbula com crescimento condilar mais para cima e para frente com encurtamento do crescimento mandibular.

Viazis (1992) afirma que é importante realçar que nas crianças que apresentam mordidas cruzadas anteriores esqueletais por volta dos 10 anos de idade, aos 3 anos de idade apresentavam mordidas cruzadas funcionais ou dentárias.

Rakosi (1997) afirma que apenas o tratamento feito na dentição decídua, tem potencial de ter sucesso absoluto na maioria dos casos com qualquer grau de prognatismo mandibular. Os tratamentos iniciados posteriormente, são mais capazes de deixar sinais residuais de prognatismo mandibular ou retrusão mandibular, mesmo se o resultado do arco dentário tiver sucesso.

Gribel (1999) dizia: Se tivermos uma MCA dentária ou funcional e nos preocuparmos unicamente com o problema dentário, poderemos ter mais adiante uma oclusão dentária correta mas o SE totalmente desequilibrado, especialmente no que se refere aos movimentos mastigatórios e a função muscular

Através destas afirmações, podemos concluir que a mordida cruzada anterior deve ser tratada tão logo seja diagnosticada, para que o Sistema Estomatognático possa se desenvolver de modo adequado e as suas funções devidamente exercidas. 

*Especialista em Odontopediatria, 
e Ortopedia Funcional dos Maxilares 
segundo alínea “b” do artigo 6o.
da resolução CFO25 de 16/05/02

Apresentação de um caso clínico de Mordida Cruzada Anterior tratado com Ortopedia Funcional dos Maxilares dos 5 aos 7 anos.

Mordida Cruzada Anterior 
CASO CLÍNICO

J.P.A.V. 5a e 5m
21/03/00 Início do tratamento
 









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