Patologia Bucal

Mucosite 
O efeito mais comum da radioterapia

Um dos efeitos colaterais mais comuns e importantes da radioterapia é a mucosite por radiação. Ela ocorre, em parte, pela destruição das células normais da mucosa bucal. Aparece como úlceras espalhadas pela boca, como se fossem grandes aftas com sangramento, dor e inchaço.

A mucosite prejudica a qualidade de vida do paciente por ser muito dolorosa e dificultar as funções do dia-a-dia como alimentação, fala e uso de aparelhos protéticos (pontes e dentaduras).

A severidade da mucosite varia conforme a sensibilidade de cada paciente, a dose aplicada, o tamanho da área irradiada e a duração do tratamento. A mucosite pode ter início na segunda ou terceira semana de radioterapia e pode se apresentar também sob formas clínicas leves como um discreto eritema (vermelhidão) na mucosa.

Outro efeito que acompanha a mucosite é a atrofia das papilas gustativas do dorso da língua com a conseqüente perda ou diminuição do paladar. Alteração da percepção gustativa também ocorre, havendo pacientes que relatam gosto metálico, salgado ou doce em demasia.

A dieta adequada para suprir as necessidades orgânicas com eficiência é importante. Entretanto, deve-se evitar as refeições com alimentos doces ou pegajosos porque isto dificulta a higienização bucal e pode aumentar o risco de cáries. De preferência o paciente deve fazer pequenas refeições em intervalos curtos e com valor calórico adequado. 

Comumente encontramos a mucosite por radiação associada à xerostomia (diminuição parcial ou total da produção de saliva) havendo com freqüência a sobreposição de infecção fúngica por Candida sp (o mesmo fungo que causa o "sapinho" em crianças).

Estudos recentes indicam que o SLS (Lauril Sulfato de Sódio) substância contida nos cremes dentais, produz ou exacerba a descamação da mucosa, fato que se torna altamente indesejável para os pacientes com mucosite. Portanto, sugere-se que os pacientes utilizem-se de cremes dentais que não contenham SLS para não piorar as ulcerações decorrentes do processo descamativo.

Devem ainda ser evitados anti-sépticos bucais contendo substâncias localmente agressivas como álcool e os fenóis, que desidratam a mucosa e provocam dor.

Quando a dor é muito intensa, recomenda-se que o paciente faça uso de bochechos ou aplicação de substâncias anestésicas. Eventualmente a colocação de gelo na boca ou ingestão de alimentos frios pode atenuar temporariamente a sensação dolorosa.
Recentemente alguns pacientes com mucosite têm sido tratados com aplicações locais de laser e há indícios de que o laser de baixa intensidade apresente efeito antinflamatório, analgésico e potencial para acelerar a reparação (cicatrização) da mucosa. Se as tendências preliminares se confirmarem, o laser poderá surgir como uma alternativa de valor para melhorar a qualidade de vida dos portadores de mucosite por radiação.

Conduta do paciente com MUCOSITE

  • Nunca descuide da higiene bucal. 
  • Coma alimentos pastosos mas que não dificultem a higiene bucal. 
  • Evite alimentos excessivamente açucarados. 
  • Evite alimentos muito quentes, temperos fortes, frutas ácidas (abacaxi, limão, laranja) e bebidas alcoólicas. 
  • A escova de dentes deve ser macia, e na fase aguda da mucosite pode ser substituída por cotonete. 
  • Só use soluções para bochecho autorizadas pelo dentista ou médico. 
  • Não fume! 

Canal Saúde Escelsanet
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Por Dra Claudia Navarro
Doutora em Patologia Bucal CRO SP 41.591
Profa. da Disciplina de Diagnóstico Bucal - UNESP
e-mail: cmnavarro@uol.com.br

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