Prótese Dentária
Placas neuromiorrelaxantes
*Mitiko Yassuda
*Miriam M. MoroshimaIntrodução
Hoje estamos vivendo uma época em que um número cada vez maior de indivíduos apresentam sinais e sintomas de distúrbios relacionados as articulações temporomandibulares e músculos associados com o sistema estomatognático.
Consequentemente mais profissionais e pesquisadores desenvolvem métodos de diagnósticos e tratamentos para o grande conjunto de situações clínicas como problemas esqueléticos, oclusais, musculares, articulares, que podem estar relacionados às desordens das ATMs.
Antczak-Bouckoms relatou que entre 1980 e 1992, mais de 4000 referências sobre DTMs foram publicados.
Okenson mostrou que 50 a 60% da população apresentaram a ocorrência de sinais detectáveis de alterações associadas às disfunções da ATM.
Dentre os recursos utilizados no tratamento, temos placas oclusais ou mais especificamente as placas neuromiorrelaxantes como dispositivos para diagnóstico e/ou tratamento de grande importância para o clínico.
Entre vários autores, Okenson , Mohl et al , observaram que os tratamentos com placas oclusais apresentam sucesso de 70 a 90% na redução dos sintomas relacionados as disfunções das ATMs, principalmente sintomas de origens musculares.
Conceitos e Funções
A placa é um aparelho removível, geralmente confeccionado em resina acrílica, incolor, química ou termicamente ativada, que recobre as superfícies incisais e/ou oclusais dos dentes em um dos arcos, criando um contato oclusal adequado com os dentes antagonistas e/ou um melhor relacionamento côndilo-disco. Quando em posição na boca, os côndilos se situam em sua posição músculo esqueletal estável (RC), ao mesmo tempo contato dental bilateral uniforme e durante movimentos excursivos (protusão e lateralidades) ocorre desoclusão dos dentes posteriores as custas de uma rampa anterior . As placas são geralmente uma modalidade reversível não invasiva nos tratamento de muitas das DTMs, e por essa razão, elas são indicadas no ínicio e em alguns tratamentos a longo prazo de muitas DTMs.Embora possam diferir em desenho e finalidade, a maioria das placas rígidas de resina acrílica, tem alguns objetivos em comum e cumprem as seguintes funções (Dawson ; Kopp; Okeson);:
Neutralização temporária e reversível das desarmonias oclusais, que causam interferências ou desvios na posição ou nos movimentos mandibulares,
Estabilização dos contatos dentais em cêntrica,
Proporçionar uma posição articular mais estável, funcional e fisiológica,
Estabelecimento de uma posição condilar estável, prévia a terapia definitiva = Relaxamento muscular e remissão da sintomatologia = RC diagnóstico = ajuste oclusal, reabilitação segundo (Kovaleski e Deboever) ,
Neutralização do reflexo neuromuscular condicionado,
Redução ou eliminação da sintomatologia decorrente da hiperatividade muscular,
Redução do desgaste de estrutura dental no bruxismo excêntrico,
Instrumento auxiliar no diagnóstico diferencial das DTMs,
Estabilização ou recuperação da DV tolerável pelo paciente durante o tratamento,
Estabilização de dentes com mobilidade,
Desoclusão temporária de dentes para propósitos ortodônticos ou outros,
Tratamentos de mioespasmos,Eventualmente funciona como placebo.
Requisitos
- Perfeita adaptação dos dentes da arcada sobre a qual vai ser instalada, com total estabilidade e retenção ao contato dental e à palpação,
- A superfície oclusal da placa deve ser a mais plana e polida possível, sem impressões cuspídicas dos dentes antagonistas,
- Maior número de contatos em Relação Cêntrica,
- Apresentar guia anterior, para desoclusão dos dentes posteriores,
- Bom polimento e adaptação aos tecidos moles sem que provoque injúria.
Vantagens
- Reversível,
- Estável,
- Não invasivo,
- Múltiplas aplicações,
- Baixo custo,
- Simplicidade de confecção.
Desvantagens
- Estética,
- Tempo de confecção,
- Adaptação e ajuste,
- Fonética,
- Tempo de uso,
- Depende da cooperação e uso por parte do paciente. Podendo causar dependência psicológica (Brayer & Erlich).
Fig. 1: Placa inferior com as guias de desoclusãoConclusão
As placas oclusais mostraram ser eficientes em certas situações no tratamento das DTMs, sendo um modo de tratamento reversível e não invasivo, podendo ser utilizadas tanto no arco superior como no inferior.
Referencias Bibliográficas
- ANTCZAK-BOUCKMS, A . A. Epidemiology of research for temporomandibular disorders. J. Orofacial Pain, v.9, n.3, p.226-234, summer 1995.
- BRAYER, L; ERLICH, J. The night guard: its uses and dangers of abuse. J. Oral Rehabil., v.3, n.2, p.181-184, Apr. 1976.
- DAWSON, P.E. Avaliação, diagnóstico e tratamento dos problemas oclusais. São Paulo, Artes Médicas, 1993.
- KOOP, S. Pain and functional disturbances of the mastigatory system - a review of etiology and principles of treatment. Swed. Dent. J., 6 : 49-60, 1982.
- KOVALESKI, W.C.: DeBOEVER, J. Influence of oclusal splints on jaw position and musculature in patients with temporomandibular joint dysfunction. J. Prosthet. Dent., v. 33, n. 3, p. 321-327, Mar., 1975.
- MOHL, N.D.; ZARB, G.A.; CARLSSON, G.E. & RUGH, J.D. Fundamentos de oclusão, 2a ed. São Paulo, Quintessence, 1991.
- OKESON, J.P. Tratamento das desordens temporomandibulares e oclusão. 4a ed. São Paulo, Artes Médicas, 2000.
- ORII, T.C. et al. Placas Oclusais e Miorrelaxantes In. CARDOSO, R.J.A., GONÇALVES, E.A.N., Oclusão/ATM. São Paulo; Artes Médicas, 2002.Cap.6,P.84-98.
*Alunas do Curso de Especialização em Prótese Dentária/EAP-Londrina
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