Dentística Restauradora

Fechamento de Diastema:
Técnica alternativa utilizando Resinas Compostas

* Dr. Márcio Shimomura
** Dr. Marcelo Egoshi
*** Francine Sesti Cruz
**** Isabela Costa Grattão

SINOPSE:
O fator "estética", dentro da Dentística Restauradora, tem sido um dos maiores desafios, tanto ao paciente que o tem como prioridade, quanto ao profissional que o tem com alvo a ser atingido da maneira mais satisfatória possível. Os pacientes que apresentam diastema na região anterior, freqüentemente, o vêm como um problema estético, requerendo soluções para o caso. O caso clínico a ser relatado visa demonstrar a correção do espaço interdental na região dos incisivos centrais superiores, com a finalidade de restaurar a anatomia funcional e principalmente a estética da região citada, sem desgaste de estrutura dental. O procedimento envolveu o uso de resinas fotopolimerizáveis e jato de óxido de alumínio, para melhorar a adesão. O resultado final do trabalho foi satisfatório, devolvendo ao paciente um sorriso harmônico.


UNITERMOS:
Fechamento de diastema - Resinas Compostas - Jato de óxido de alumínio. 


INTRODUÇÃO:
O conceito de estética e beleza pode ser considerado abstrato e esta diretamente relacionado com os anseios individuais de cada um, sofrendo influência da sociedade a qual o paciente pertence, e está diretamente influenciado pelos meios de comunicação.

A presença de agenesias, diastemas e dentes anteriores com desarmonia de forma, tamanho e posição, alteram a harmonia facial e podem na grande maioria das vezes, afetar o comportamento social, profissional e mesmo afetivo das pessoas.

A evolução e melhoria das resinas compostas como materiais restauradores estéticos e o desenvolvimento e utilização de técnicas adesivas tem permitido ao profissional de odontologia uma atuação conservadora reduzindo o preparo cavitário a um mínimo indispensável ou mesmo eliminando-o quando a situação o permite.
Yankelson (1973), foi o primeiro pesquisador a sugerir a utilização de resina composta adicionada a um dente íntegro com o intuito de modificar a sua forma. A partir de então diversos autores tem sugerido e utilizado a resina composta e sistema adesivos para solucionar problemas estéticos como os anteriormente citados. 

As possibilidades e evolução das técnicas têm estimulado sobremaneira o seu uso, visto que elas evidenciam uma solução conservadora não destrutiva, possibilitando modificações e melhoramento.

Todo esse conjunto de procedimentos conservadores objetiva devolver ao paciente uma aparência que permita seu convívio social sem os constrangimentos de uma estética deficiente.


CASO CLÍNICO:
Um cliente, do sexo masculino, 25 anos, procurou o consultório do Dr. Márcio, queixando-se de um certo desconforto estético devido ao espaço existente entre seus incisivos centrais superiores. Após uma detalhada anamnese, exame clínico e radiográfico, constatou-se que os dentes presentes não apresentavam qualquer anormalidade, e que o fator hereditário era a causa mais provável deste diastema.

O primeiro passo, deste tratamento, foi analisar os elementos envolvidos no diastema, neste caso, o elemento 11 e o elemento 21 (fig.1). Notou-se que estes dentes apresentavam texturas diferentes entre si, e que o elemento 11 estava ligeiramente vestibularizado em relação ao elemento 21.

Fig. 1

O próximo passo foi a seleção da cor, procuramos selecionar a cor que mais se aproximasse dos dentes naturais. Foi utilizada a resina Z250 (3M), nas cores A2 e B2, a resina HERCULITE XR-V incisal média (KERR) e a resina DURAFILL (KULZER), cor A2. Selecionada as cores das resinas com as quais trabalharíamos, passamos a realizar os passos técnicos para este tipo de trabalho.

Utilizamos um compasso de ponta seca para medir a distância entre os incisivos centrais superiores, depois transferimos essa medida para o paquímetro, o qual nos forneceu o tamanho exato deste diastema, neste caso 1 mm.
Fez-se o isolamento absoluto de canino a canino, amarrias em todos os dentes com nó por palatina. Foi dado um polimento inicial com pedra pomes e água.

Foi feito um jateamento com óxido de alumínio, bem superficial, somente sobre a região do diastema, ou seja não foi feito em toda extensão do dente (fig.2). O jateamento serve para aumentar a aspereza do esmalte, aumentar a adesão, ele melhora o coeficiente de resistência do esmalte. Lavou-se a superfície jateada e a secou. O resultado obtido após o jateamento foi um esmalte fosco semelhante ao esmalte condicionado.

Fig. 02

Depois, então, foi realizado o condicionamento com ácido ortofosfórico a 37%, durante 20 segundos, um pouco além da estrutura jateada. O condicionamento foi feito tanto por vestibular quanto por palatina (fig.3). 

Fig. 03

Lavou-se a área condicionada por 20 a 30 segundos para remover todo ácido e resíduos da desmineralização. A superfície dental foi seca com "filtrinhos" de papel absorvente, para que não ficasse estorricada, pois como se sabe o adesivo é hidrofílico (fig.4).

Fig. 04

Aplicou-se o sistema adesivo, conforme especificação do fabricante, tirou o excesso e em seguida fotopolimerizou-se.

Iniciamos a restauração pelo elemento 11. Primeiro foi inserida a resina Z250 (3M), cor A2, para fazer o corpo da restauração, preenchendo a metade do espaço interproximal, depois partimos para o elemento 21, com a mesma resina terminamos de preencher o espaço e corrigimos a vestibuloversão do elemento 11, acrescentando resina por vestibular no dente 21. Cobrimos tudo com a resina Z250(3M), cor B2. Na incisal de ambos os elementos, inserimos a resina HERCULITE XR-V incisal média (KERR), restabelecendo as características destes dentes. Por último inserimos a resina DURAFILL (KULZER), cor A2, só por vestibular, essa resina melhora a textura e garante brilho de polimento. Isolamos a última camada de resina do oxigênio com "Ky gel", gel a base de água, e polimerizamos. Este isolamento é feito, pois a resina que fica em contato com oxigênio fica subpolimerizada dificultando, assim, o acabamento (fig.5).

Fig. 05

No acabamento imediato, usamos tira de lixa diamantada para resina, para dar acabamento na proximal. Depois passamos os discos sof lex, em baixa rotação, sempre refrigerando o dente com jatos de ar. Estes discos são usados a seco (fig.6).

Fig. 06

Depois de 24 horas, foi feito o acabamento mediato, utilizando disco de feltro e pasta diamantada (fig.7).

Fig. 07

Orientamos este cliente no que diz respeito a durabilidade deste tipo de trabalho E também aos cuidados que deveria tomar nas primeiras 24 horas em relação às bebidas, corantes, tabagismo.

As figuras nº 8 e 9 mostram a situação inicial e final do caso, numa vista mais aproximada.

Fig. 08

Fig. 09

O paciente ficou muito satisfeito com o resultado final.

* Docente da Universidade Estadual de Londrina,
Professor auxiliar do curso de Atualização em Odontologia Estética e Cosmética
CRO 11829

** Cirurgião dentista , e ministrante do curso de Atualização em Odontologia Estética e Cosmética
CRO 8478

*** Acadêmica do 5º ano de odontologia da Universidasde Estadual de Londrina

**** Acadêmica do 5º ano de odontologia da Universidade Estadual de Londrina

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