Ortodontia e Ortopedia Facial
Expansão Rápida da Maxila
A expansão rápida da maxila ou disjunção palatal é um procedimento ortopédico cujas indicações podem ser atribuídas a: deficiências maxilares reais e relativas (50%); estenose nasal severa (10%); Classe III cirúrgica e não cirúrgica e pseudo classe III (10%); problemas específicos de comprimento de arco em adultos com padrão favorável (10%); casos de mordida profunda esquelética para aumento no sentido vertical (10%); casos onde o deslocamento anterior da maxila é desejado e a largura é boa (8%) e paciente adulto com fissura lábio palatal (2%).
É uma técnica utilizada em pacientes ao final da dentadura mista até a permanente precoce completa, entretanto também tem sido realizada em adultos jovens. A época ideal recomendada para iniciar a expansão rápida da maxila é após a irrupção dos primeiros pré-molares superiores, assim que apresentem uma altura adequada para a bandagem.
Como efeito ortopédico, a maxila desloca-se anteriormente, sendo sua região posterior girada inferiormente, resultando em uma rotação horária da mandíbula, com um aumento na altura facial inferior.
Segundo Haas, os 10 maiores erros cometidos no procedimento de expansão rápida da maxila são:
1.Promover qualquer alteração no desenho do aparelho que reduza o potencial de ancoragem, como por exemplo, excluindo as barras vestibulares ou a porção de acrílico do palato.
2. Não expandir o suficiente, como por exemplo, tratar os dentes posteriores ao invés da base apical. O parafuso deve ser ativado até pelo menos 10 a 12mm e, em muitos casos, ainda mais.
3. Não estimar o valor ortopédico total da técnica. Uma vez que a expansão tenha sido maximizada, a maxila com suturas rompidas pode ser efetivamente influenciada nos outros planos do espaço, ou seja, vertical e ântero-posterior.
4-Remoção precoce demais do aparelho. A sutura é reorganizada em aproximadamente 8 semanas. Entretanto para lançar mão do sobretratamento, o aparelho raramente ou nunca deve ser removido antes de 12 semanas.
5. A utilização de um parafuso pequeno demais. Sempre utilize um parafuso de, pelo menos, 16 mm. Quando são utilizados botões acrílicos, pouco importa se o parafuso está na profundidade do palato ou acima do nível oclusal.
6.Início de outros procedimentos antes da estabilização. Não é sábio arriscar uma interferência sobre o desenvolvimento extremamente importante da base apical pela possível produção de uma inflamação com a utilização de um extrabucal ao mesmo tempo em que o aparelho está sendo manipulado.
7. Experiências sem um bom julgamento, como por exemplo: remoção precoce demais do aparelho, enfraquecimento da ancoragem por alteração no desenho, etc.
8. Não instalação de uma placa removível de acrílico no palato no momento da remoção do aparelho de ERM. A placa de acrílico muitas vezes altera favoravelmente a posição da língua e permite grande versatilidade na manipulação subseqüente dos dentes posteriores.
9. Pensar como ortodontista em vez de ortopedista. Quando um profissional instala e pretende utilizar um aparelho de ERM, torna-se um ortopedista tratando a base da dentadura. A interrupção precoce devido ao conceito ortodôntico de uma mordida cruzada auto corrigível, temporária, novamente não é sábia.
10. Consciência da seriedade do procedimento. É exercida ação sobre 14 ossos: 2 maxilares, 2 palatinos, 2 zigomáticos, 2 nasais, 2 lacrimais, 1 frontal, 1 vômer, 1 etmóide, 1 esfenóide e sobre todas as funções fisiológicas peculiares a este complexo anatômico.
DR. ANDREW J. HAAS
7º Encontro Internacional de Ortodontia - Novembro/2001
Bauru - S.P.