Por: Fernando Araújo
05/04/2006 - JORNAL DE LONDRINA


ATERRO
Fechada vala de lixo hospitalar

Foi fechada na manhã de ontem a última vala de lixo hospitalar existente no aterro sanitário de Londrina (Zona Sul). A vala recebeu material até a última sexta-feira, quando terminou o prazo dado pelo Ministério Público (MP) para que toda a área de saúde privada e pública passe a cumprir as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Agora, hospitais, laboratórios, clínicas e consultórios precisam pagar pela destinação de forma adequada do que produzem diariamente de resíduos infecto-contaminantes, químicos e perfuro-cortantes. 

O fechamento da vala foi acompanhado pela promotora de meio ambiente, Solange Vicentin, e representantes do Instituto Ambiental do Paraná (IAP). As valas funcionavam desde 2001 exclusivas para o aterro de lixo hospitalar, mas não eram consideradas adequadas. Até sexta-feira, o aterro recebia diariamente 2,4 mil quilos por dia desse material. 

Vencida a batalha para fazer com que os representantes da área de saúde aceitassem o prazo para mudança, a dificuldade agora é conseguir que todos eles apresentem seus planos de gerenciamento de resíduos. Na Cidade, são mais de 1.800 estabelecimentos que vão desde grandes laboratórios e hospitais até lojas de animais ou de tatuagem. O problema é que apenas 500 de todos eles já apresentaram seus planos. “Agora vai depender de uma boa fiscalização”, disse Solange Vicentin. 

Os representantes dos órgãos ligados à fiscalização e controle não negam que, em razão do número de estabelecimentos ainda não adequados, os problemas com destinação poderão acontecer. O técnico do aterro sanitário, Elsoni Delavi, confirmou que, nos últimos dois dias, recebeu uma grande pressão de produtores de resíduos que insistiam em despejar. “Ninguém acredita que não vamos mais receber lixo. Tiveram que dar meia volta. Mas não sei onde eles foram”.

O chefe regional do IAP, Ney Paulo Pereira, também não arriscou dizer onde será colocado o lixo que não vai mais para o aterro. No entanto, ele afirmou que haverá fiscalização para evitar que os resíduos acabem descartados em lixo comum ou mesmo em locais irregulares da Cidade. “Vamos levantar todos os que estão envolvidos com a produção desses resíduos e autuar quem não estiver fazendo de forma correta”, disse.

A intenção também é fazer um monitoramento do lixo que chega ao aterro com a verificação dos caminhões, por meio de um funcionário responsável. A Fossil, empresa encarregada da coleta de lixo, foi encarregada de orientar os coletores para que eles consigam verificar se há resíduos de saúde em meio ao lixo doméstico. “Eles então devem deixar o lixo no local e fazer uma anotação de onde foi encontrado”, disse Delavi.


 
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