UM ENSAIO
AIDS - SOCIAL
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Não existe nem pode existir um vírus que possa vencer a máquina mais perfeita jamais criada: nosso cérebro. As possibilidades e potencialidades desta pequena massa cerebral nos parecem ilimitadas e a cada dia nos surpreende com novas qualidades. Todas as invenções, inovações, criações e progressos são atribuídas à mente humana.
Não podemos duvidar de um vírus que necessita viver em uma célula, isto é, que não tem se quer autonomia de vida possa ter possibilidade de vencer.
Não é um, senão muitos e escolhidos cérebros que estão trabalhando para anular farmacologicamente o causador da AIDS, que diariamente vai ficando melhor conhecido e as possibilidades de vacinas e tratamentos eficazes, aumentam claramente.
As pessoas soropositivas, muitas vezes sem culpa como os hemofílicos, crianças, parceiros e dependentes de drogas, que tem a ignorância como culpa, assumem a reação da AIDS social, que é a mais grave das AIDS existentes porque são isoladas em todos os sentidos possíveis.
O portador fica vivendo uma intensa tormenta emocional e podem aparecer pensamentos obsessivos o que geram "stress" e concomitantes alterações psicológicas, sentimentos de culpa, temor de serem marginalizados e isolados provocam retraimento social e as conduzem a um quadro depressivo que pode se manifestar por sensação de fracasso ante a vida, perda de interesse por tudo e até idéia de suicídio. Este estado vivencial negativo pode ser agravado por conflitos intra psíquicos prévios. Não há projetos para o futuro e a angústia ante o viver só completa o quadro.
Estamos diante de uma pessoa que em pouco tempo se converterá em outra psiquicamente anulada, e quando a esperança se acaba, não existe desejo nem vontade de continuar. E isto não precisa ser assim. AIDS não significa morte, existe uma esperança séria, objetiva e científica de se viver com dignidade e alegria, isto é, com qualidade de vida. Para isso a pessoa deve tomar consciência de que o que tem é um vírus, que terá de conviver com ele, o qual não é invencível nem todo poderoso e que apesar de sua presença ser condição necessária para desenvolver a doença, ele não impede de viver, só baixa as defesas orgânicas.
É evidente que o mundo emocional e os pensamentos da pessoa soropositivas juntamente com a reação social é que pode desencadear este vendaval emocional e suas conseqüências. O sistema imunitário, que é o que nos defende, está intimamente relacionado com nosso mundo emocional. A psiconeuroimunologia é taxativa, dependendo das emoções assim teremos o número e a quantidade das células que nos defendem de todas as doenças. Estas células são as que vírus procura invadir para viver e se reproduzir. Pois nem, esta ciência nos diz que quando vivemos em um ambiente de paz, serenidade, afetividade, isto é, em emoções positivas, as células defensivas aumentam em qualidade e número, e quando são emoções negativas, "stress", angústia, depressão, ocorre ao contrário. A conclusão de que as emoções podem desencadear qualquer doença ou propiciar qualquer cura não admite dúvidas. E é aqui onde podemos entrar ca da um de nós. Evidencia-se que os "sobreviventes gratificantes "desta doença são pessoas que não ficaram indiferentes ante sua situação, senão que com coragem iniciaram um novo estilo de vida conseguindo uma relação harmoniosa e afetuosa com todos que o rodeiam, acreditando nas possibilidades de vencer o vírus e se entregando a tarefas altruístas e sociais, positivando sua vida e projetando o futuro. O vírus não é nada. O terreno é que é tudo e com isso tiramos o terreno do vírus e completa-se o tratamento, com farmacos, dietas, etc. Não esquecer que a tarefa mais formosa da vida é incentivar ilusões e esperanças, semear e ressuscitar afetos e multiplicar a ternura que são as maiores fontes de energia e saúde. É onde reside a beleza da pessoa humana e com uma extraordinária vantagem, todas elas nos serão devolvidas algum dia.
Prof. Narciso José Grein
Curso de Odontologia da PUC/PR
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